3 de dez de 2015

Test Time Review 15 # Stranger In Us All (1995)




O Rainbow é uma da bandas mais cultuadas do cenário do Hard Rock mundial, tendo na figura do lendário guitarrista e compositor Ritchie Blackmore seu principal pilar de sustentação. Em suas fileiras passaram verdadeiras lendas como o baterista Cozzy Powell e o vocalista Ronnie James Dio anos áureos anos 70.

Após uma década de 80 controversa (já sem Powell e Dio) Blackmore retornaria ao Deep Purple onde sairia de novo em 93, remontando o Rainbow com novos membros, tendo o talentoso vocalista escocês Doogie White como seu principal parceiro em seu disco de retorno, Stranger In US All, é até então o último disco da banda.

A Banda

Ritchie Blackmore (Guitarra)
Doogie White (Vocal)
Paul Morris (Teclados)
John O Reilly (Bateria)
Greg Smith (Baixo)


O Contexto

Blackmore apostou suas fichas em um time composto por músicos muito talentosos mas pouco conhecidos no mainstream, reforçando o conjunto mas tendo em mente ser a grande referência musical do trabalho, e agora sem tentar agradar as paradas de sucesso como fez na década anterior.

Em uma época de grande fragmentação musical dentro do Rock, Stranger In Us All repaginava o Hard Rock com influências barrocas do inicio com levadas Hard Rock que embalaram os anos 80, sem se importar com o que ocorria na época, Ritchie trouxe um "novo velho"Rainbow de volta a ativa.

A cobrança por um grande disco era grande, uma vez que após o excelente Perfect Strangers (1984) com o retorno do Deep Purple, Blackmore estava devendo, mesmo com bons momentos do Rainbow pós fase clássica, e com o Purple no fim dos 80's e inicio dos 90's, o guitarrista mergulhava em uma crise de identidade considerável.

O disco deveria ser um trabalho solo de Blackmore, mas acabou levando o nome de Ritchie Blackmore's Rainbow por indicação da gravadora.

As impressões do passado

Stranger In Us All foi lançado mediante muitas especulações e dúvidas sobre como soaria a nova encarnação do Rainbow, e quando o disco saiu, foi relativamente bem recebido, Blackmore conseguiu equilibrar bem as coisas e musicalmente o disco tem traços de todas as fases da carreira do guitarrista, tudo devidamente atualizado pelos padrões musicais da época.

Ao mesmo tempo que a ótima abertura com  Wolf To The Moon remete ao Rainbow clássico com toques do Metal europeu dos anos 90, temas como Cold Hearted Woman e Hunting Human (Insatiablese aproxima do hard rock orientado aos riffs e ótimas linhas vocais com refrão marcante.

Mesmo com o começo forte, e uma perfomance convincente dos músicos, principalmente de Doogie White, que honrou bem o posto de vocalista, faltava uma grande música para ser chamada de clássico e Ariel se encarregou da função, uma power ballad épica com ótimos riffs e harmonias orientais disparadas por Blackmore, acompanhadas de belos arranjos de teclados e uma interpretação digna de aplausos de Doogie White e ótimas vocalizações da esposa de Blackmore Candice Night.

As influências renascentistas se aprofundam em Black Masquerade com uma ótima interação entre as guitarras e os teclados de Paul Morris, mais um sinal de que Blackmore ainda tinha muitas cartas na manga.

Apesar de não ter alcançando o ápice dos três primeiros discos, o Rainbow conseguiu entregar um trabalho sólido e boa parte dos fãs aprovaram o disco, uma tour mundial se seguiu, e a banda voltava forte no cenário Europeu e Sul-americano.

Como o álbum envelheceu?

Se no passado o disco teve um relativo sucesso, o passar do tempo foi um pouco injusto com Stranger In Us All, musicalmente o disco faz muito sentido hoje, principalmente sabendo que Blackmore abandonaria o Rock, mas a falta de mais um trabalho para solidificar a formação e principalmente a boa perfomance de Doggie White fez com que muitos fãs esquecessem do trabalho, uma pena.

Musicalmente é um dos trabalhos mais elaboradas do Rainbow, tem uma produção de primeira, músicos jovens que deram um novo ânimo as composições, se comparado com Down To Earth e Difficult To Cure, os dois melhores discos sem Dio até então, Stranger In Us All larga na frente, e isso não é pouca coisa, uma vez que estamos falando de excelentes registros. Mas a época  de transição no cenário musical e e as derrapadas de Blackmore criou um distanciamento da banda com sua base de fãs.

Ao meu ver estamos diante de um grande trabalho que merecia (e merece) mais atenção dos fãs, o até então último disco do Rainbow é sim, um dos melhores de sua carreira.


Ariel


Track List


  1. Wolf To The Moon
  2. Cold Hearted Woman
  3. Hunting Humans (Insatiable)
  4. Stand And Fight
  5. Ariel
  6. Too Late For Tears
  7. Black Masquerade 
  8. Silence
  9. Hall Of The Mountain King
  10. Still I'm Sad

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