31 de mai de 2013

Test Time Review # 6 - Dead Heart In A Dead World (2000)




"O tempo passa muito rápido" quantas vezes o amigo leitor ouviu essa frase na sua vida? Inúmeras, principalmente dos mais velhos, e com o tempo você percebe que trata-se de uma  verdade, em várias etapas e aspectos de sua vida você adquiri tal percepção, nas fotos, nas responsabilidades e para quem é fã de música, nos discos que você ouve ao longo do tempo.

 E quando aquele lançamento que marcouseu passado vira um clássico? Wow! Percebemos que as coisas andam bem rápidas, e isso me traz a memória quando fui à loja e comprei o então lançamento "Dead Heart In A Dead World" do Nevernore, um dos álbuns mais aclamados do fim dos anos 90, inicio dos 2000's.

Um disco que mostrou os  caminhos que o Heavy Metal seguiria em sua trigésima década de existência.


A Banda

O Nevermore era formado por:

Warrel Dane (Vocais)
Jeff Loomis (Guitarra)
Jim Sheppard (Baixo)
Van Williams (Bateria)


O Contexto

Quem se lembra das perspectivas do Heavy Metal no fim dos anos 90 e inicio dos 2000's? Era um cenário pouco agradável, nos Estados Unidos, o estilo viva a onda do New Metal que produzia boas bandas, mas também inflava o mercado com muitos artistas de qualidade duvidosa, na Europa e América do Sul  o Power Metal e o Black Metal Sinfônico traziam uma enxurrada de clichês, que apesar do sucesso, já mostravam um desgaste criativo na cena.

O Nevermore, banda oriunda das cinzas do Sanctuary (tocavam um power/thrash típico do Metal Americano dos anos 80) construía sua carreira em meio a esses cenários aos quais ela não se encaixava, e talvez por isso via sua popularidade aumentar graças a diversidade de sua sonoridade, grandes álbuns como Nevermore (1994), Politics Of Ecstasy (1996) e Dreaming Neon Black  (1999) mostravam originalidade e potencial , entretanto faltava um registro para impulsionar a carreira desta banda de Seattle.

Dead Heart In A Dead World trouxe tal impulso e o o Nevermore entrou em uma trajetória de ascensão, ao mostrar que existia muita coisa a ser explorada na música pesada.

As Impressões do passado

Quando ouvi DHIDW em seu lançamento tive um choque, um amigo meu comprou o CD uma semana antes de mim, e eu que já possuía os três primeiros álbuns da banda duvidava que poderiam entregar algo diferente, até ouvir os primeiros acordes de Narcosynthesis, aqueles timbres eram pesados e a produção soava extraordinária!

Pois bem, peguei o cd emprestado e ouvi por umas semanas, até ir comprá-lo e completar a coleção dos caras, eu tinha certeza que estava ouvindo algo que marcaria época.  Os reviews eram positivos, e a imprensa mundial já colocava o álbum num pedestal de clássico.

 A mistura da brutalidade com algumas baladas melancólicas, deixou o conteúdo musical diversificado, me lembro de ter sido surpreendido com tamanha diversidade e maturidade do Nevermore, que dava um grande  passo a frente em sua carreira.


Como o álbum envelheceu?


A combinação de músicos competentes e talentosos com um produtor musical inspirado faz com que DHIDW envelheça muito bem, ou melhor, não envelheça, pois chega a impressionar como este ainda soa atual mesmo 13 anos após seu lançamento.


A mudança teve um nome, Andy Sneap, que assumiu a produção e teve um papel fundamental para a revolução sonora aplicada no album, com timbres pesados e uma mixagem de primeira, sugeriu o uso de guitarras de 7 cordas para Jeff Loomis, um grande prodígio das guitarras, fez Warrel Dane soar mais melódico, mas também furioso e melancólico, aprimorou a sonoridade  na sessão rítmica, dando a esse registro um peso e um vigor sensacional.

Impossível não se empolgar com Narcosynthesis sua abertura com um riff abafado e o bumbo duplo ditando o ritmo e abrindo espaço para os vocais insanos de Warrel Dane. O vocalista arrisca notas mais altas como nos tempos de Sanctuary em We Destintegrate, mais tradicional, resgatando um pouco o Metal Tradicional, com  grande refrão que marca o ouvinte logo de cara.

Inside Four Walls flerta com o New Metal com seu andamento quebrado e as guitarras de baixa afinação. Muito bem arranjada, mostra  um show de Sheppard e Williams, combinado com um refrão melódico traz uma mistura interessante e original.

Em The River Dragon Has Come ouvimos todo o talento e qualidade de Jeff Loomis que comanda sua guitarra com perfeição, do dedilhado incial, passando pelo melhor riff de sua carreira até então, culminando em um solo extraordinário. a melhor música do álbum, um clássico.

Nem só de pedradas se faz um bom álbum, The Heart Collector e o hit Believe In Nothing são duas power ballads melancólicas, com ótimos arranjos e um show de interpretação de Warrel Dane que além de grande vocalista é um ótimo interprete.

Porradas Thrash Metal dão as caras com Engines Of Hate e Dead Heart In A Dead World, que com um começo lento engana o ouvinte, despejando  muito peso e fúria após os minutos inciais. As letras do álbum são fortes e muito bem escritas, vale serem destacadas.

Dead Heart In A Dead World é um grande clássico do Heavy Metal!


Track List 

1. Narcosynthesis
2. We Disintegrate
3. Inside Four Walls
4. Evolution 169
5. The River Dragon Has Come
6. The Heart Collector
7. Engines Of Hate
8. The Sound Of Silence (Paul Simon cover)
9. Insignificant
10. Believe In Nothing
11. Dead Heart In A Dead World



Vídeo Clipe de Believe In Nothing




The River Dragon Has Come





Notas:


  1. All The Covards Hide e Chances Three foram B-sides das sessões de gravações lançadas em singles e edições especiais
  2. O respeitado jornalista Martin Popoff editou o livro TOP 500 Heavy Metal Albuns e colocou o album  ficando na 86ª posição veja aqui

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