4 de mai de 2013

Primal Fear - Seven Seals (2005) "Test Time Review" #5

Depois de ficar um tempinho (ou tempaço) sem escrever, resolvi voltar em grande estilo, pensei em algumas possibilidades, mas nada melhor do que poder falar de um dos meus discos preferidos de todos os tempos, "SEVEN SEALS" da banda germânica de Power Metal, o PRIMAL FEAR.

  1. Demons and Angels – 5:32
  2. Rollercoaster – 4:28
  3. Seven Seals – 3:54 (Sinner, Lundgren, Milianowicz)
  4. Evil Spell – 4:31
  5. The Immortal Ones – 4:19
  6. Diabolus – 7:54 (Sinner, Lundgren, Milianowicz)
  7. All for One – 7:53
  8. Carniwar – 3:17
  9. Question of Honour (Sinner cover; written by Sinner, Naumann) – 7:26
  10. In Memory – 5:07
Todas as músicas foram compostas por Scheepers/Sinner/Naumann/Leibing, exceto as especificadas.

Nota do Pseudo-redator: Voltei a utilizar os parênteses em "demasia", para expressar um pensamento que "me veio" enquanto eu redigia tal frase/parte. Dá uma sensação de "improviso", além de passar uma informação adicional (ou besteira adicional).

Haverão vários durante o texto a seguir!

Uma nova concepção de som


Depois de fazer três discos seguindo uma direção em comum (Nuclear Fire/Black Sun e Devil's Ground), a banda surpreende em OUSAR em um estilo que "costumeiramente" orgulha-se em fazer o mesmo tipo de som sempre... Então, é louvável ver uma banda desse calibre pensar em fazer som próprio.

A formação que gravou o disco, Em ordem: Stefan Leibing (Guitarra/Teclados), Mat Sinner (Baixo), Ralf Scheepers (Vocais), Tom Naumann (Guitarra), Randy Black (Bateria).

"E se os Sete Selos forem quebrados?"


Na música que dá nome ao disco, está a resposta deste título, mas o que o SEVEN SEALS representa pro PRIMAL FEAR? Literalmente uma "quebra", uma ruptura do que eles estavam fazendo, e procuraram achar um caminho próprio, algo que caracterizasse a banda. Ao menos é o que eles entregaram no material. Uma banda renovada, respirando novos ares, ousando, fugindo do comum, e é por isso que o disco é tão bom (além da qualidade de suas músicas).

Primeiramente, a qualidade da mixagem do material é EXCELENTE, e isso é explicado quando sabe-se que quem a fez foi nada menos que Mike Fraser, o disco foi gravado na Alemanha, mas mixado no Canadá. Mas quem é Mike Fraser? ... Bom, apenas vai uma lista das bandas das quais ele já trabalhou: ACDC, METALLICA, COVERDALE-PAGE, AEROSMITH, THE CULT, além de outras...

Bom, pelo "cartel" do cara, vem mais uma frase a sua mente: "Por isso que o som do disco é tão limpo, cristalino". Você ouve os arranjos nítidamente!

"Tá... mas e o disco em si?"

Depois de toda essa intro com informações, vamos à música!

Valeu pelo CD Raphael! (Sim, presente do meu irmão de Goiás)

O disco começa com uma intro truncada (não é trava-lingua) de teclado/sintetizador, guitarra base e bateria ...  "Demons And Angels" abre o disco de forma MAGISTRAL, mostrando de forma EMBLEMÁTICA a mudança de som da banda.

A música segue rápida, com mudanças de andamento, os arranjos do teclado e com uma guitarra furiosa!

Pra quem tava acostumado a ouvir um Primal Fear mais cru (guitarra/bateria/baixo e vocal), pode se assustar... mas depois que você repara nos detalhes o disco se torna incrível!... Flerta um pouco com Prog Metal (pela mudança de andamentos e seus arranjos, inclusive com cordas), enfim é um CLÁSSICO da banda!

Vale salientar o solo vindo de uma quebra de andamento, começa melódico, continua duplo, e depois fica rápido.

Então você repara no vocal e: "Peraí, cadê os agudos e notas altas?" Sim, Ralf Scheepers cantando com vocal rasgado, não abusando de notas altas (mesmo que algumas estejam lá). Não é a toa que ele é um dos meus vocalistas preferidos, vide sua versatilidade.

Calma ... é muita surpresa/mudança pra uma faixa só... mas tem mais:

O disco segue com "Rollercoaster", com um riff  incial SENSACIONAL! Mesmo sendo rítimico (acordes), não deixa de ser melódico. O andamento dela (música) muda 3 vezes, o que a torna única (sim, Randy Black trabalhando duro). Sem falar do solo duplo, refrão que gruda... resumindo, outro clássico!

Em seguida, vem a música homônima ao material ... "Seven Seals" começa com arranjo de cordas (sim, cordas...!)...  Nessa música você consegue entender melhor a mudança de som da banda, percebe-se claramente uma nova "direção" vocal do Scheepers. (Ironicamente, apenas nesse disco, é proposital). A música abusa de melodias cativantes, principalmente em seu solo (é, agora os elogios são para Stefan Leibing).

"Evil Spell" é uma das músicas mais pesadas da banda, e quebra TUDO! Rápida, pesada ... É tipo um: "Vejam como não perdemos a mão, mesmo com uma proposta nova".

Com um riff sujo, "The Immortal Ones" chega pra mostrar uma ... mistura das duas fases do Primal Fear, que alia a distorção de outrora, com uma variação rítimica de uma proposta atual. A música começa cadenceada, com um refrão grudento... toda distorção com o vocal rasgado, ficou SENSACIONAL! ... Já no solo, MAIS bumbo duplo e guitarra rápida. Baita som ! (Não é o Julio escrevendo aqui!)

Sombria, é o que pode-se falar sobre "Diabolus". Arrastada, com um clima pesado, com bastante distorção... mas não pára por aí ... depois do primeiro solo... muda o andamento pra uma parte MUITO melódica e rápida, em seguida, finaliza com o mesmo clima sombrio inicial. Épico!

"All For One" começa com uma parte calma, dedilhada ... apenas vocal e guitarra e em seguida ... vir aquela "piabada na zoreia"... Notas altas, distorção, bumbo duplo ... enfim, estamos falando de Primal Fear, né? Vale salientar o refrão grudento, além da positivade na letra.

Mesmo carregada, dando continuidade ao clima sombrio de "Diabolus", "Carniwar" chega com uma bateria presente, e as famosas "notas altas" de Ralf Scheepers. E mesmo "arrastada", não tem como não reparar no trabalho de Randy Black, nossa... faz o andamento com bumbo duplo, varia, quebra... muda o andamento, mostrando o quão técnico ele é.

Não é "Thunderdome" (música do debult do Primal Fear), mas "Question Of Honor" começa com chuva (ou barulho de chuva, enfim)... além de teclado, SIM, teclado. A música segue com guitarras duplas e melódicas... muda o andamento novamente e há um solo de TECLADO (eita porra, intro com teclado, solo de teclado, Primal Fear virou Sonata Artica? Graças a Deus que não). Após o solo de teclado há solos de guitarra, ora duplos, ora individuais. Os arranjos combinam e encaixam-se perfeitamente ao clima do material da banda, mesmo sendo cover do Sinner (The Nature Of Evil, de 1998), que tem uma versão mais crua.

Para fechar o disco, a banda resolveu apostar em uma balada. "In Memory" é uma música meio depressiva, mas uma BELA música. Uma letra que te faz pensar, elementos de corda, vocal limpo. Enfim, épica, melódica, harmônica, bem feita. A melhor "balada" do Primal Fear, de longe!

Há uma versão em DIGIBOOK com 2 "bônus tracks": "The Union" e "Higher Power", remetem a fases anteriores da banda, heavy metal tradicional. Ambas foram citadas como "possíveis nomes" das músicas que seriam lançadas no Seven Seals, creio que elas ficaram de fora por destoarem da proposta do novo material.

Resumo da Ópera (Acho que isso vai virar "bordão", pra quando eu for dizer as considerações finais sobre algum disco)


Sou suspeito, mas Seven Seals figura entre os grandes lançamentos de 2005, em um ano que teve VÁRIOS outros grandes lançamentos. Mas ele vai além disso, pela importância que ele é na discografia do grupo.

Ousar não faz mal a ninguém, mesmo em um estilo musical que tem um público conservador. E o melhor disso tudo, o Primal Fear encontrou O Primal Fear. Músicos de tal calibre, fazendo um som próprio, moderno, é digno de APLAUSOS.

Esse material ditou as "regras" dos próximos 2 lançamentos da banda, New Religion (2007), e 16.6 (2009), onde o PF continuou a acrescentar elementos novos em seus trabalhos.

Sabe o novo disco do Stratovarius? O "Nemesis" (de 2013), onde mostra uma banda com elementos novos, moderno, fazendo som próprio. Pois é... o Primal Fear fez isso em 2005 com o Seven Seals.

Cordas, samples, teclado, coral foram MUITO BEM arranjados aqui, em um disco que tem elementos progressivos (eu disse elementos, partes, não que o disco seja de metal progressivo), devido sua quantidade de variações, andamentos, melodias, arranjos. Coisa que só foi possível pelas pessoas envolvidas, seus integrantes, inclusive a produção, que tornou possível o material soar como "super produção". E claro, da qualidade do material em si.

Falando nos integrantes:

Ralf Scheepers

Proposta de material diferente? Uma faceta diferente! (Eu disse FACETA hein!)
Mostrou uma linha vocal diferente, com notas NÃO tão altas, mas de forma rasgada. Encaixou-se PERFEITAMENTE em algumas situações, principalmente acompanhando um punhado de distorção.

Sua qualidade como vocalista é inquestionável, mesmo sendo bastante underrated, infelizmente.






 

Mat Sinner

O fundador do Sinner e do Primal Fear (junto com Ralf), além de produzir o álbum, ajudou nas composições (é, redundante isso). O baixo não é tão presente como outrora, mas acompanha bem o andamento das músicas.



 








Tom Naumann

Problemático? Sim. Talentoso? DEMAIS! Responsável pelas guitarras do primeiro disco do Primal Fear, onde fez TUDO sozinho. Merece toda consideração possível, já que a linha de guitarra do primeiro material é absurda de boa!  No Seven Seals não é diferente. Riffs e solos sensacionais, funciona muito bem trabalhando com Stefan Leibing. Uma pena que saiu por problemas psicológicos.

Saiu da banda no final da turnê que promovia esse disco, os integrantes justificaram dizendo que estava difícil trabalhar com ele, já que desde a gravação do disco, ele dificultava as coisas, queria tocar quando queria, ou se quisesse... Foi sua segunda saída da banda.





Stefan Leibing

As linhas de guitarras desse disco são irrepreensiveis! E deve-se muito ao trabalho deste grande guitarrista... conseguiu, junto com o Naumann, fazer solos/bases/riffs memoráveis. Tudo muito bem arranjado, e detalhado. Além de acompanhar a variação das músicas. De quebra ainda tocou teclado.

Infelizmente saiu da banda em 2008 para cuidar da família. Faz uma BAITA falta pra banda.







 
Randy Black

Acredite, ele não ficou por último por ser baterista, e sim por ser O baterista. Individualmente é o trabalho que mais chama atenção. Extremamente técnico e versátil, usa e abusa de mudança de andamento/rítimo. Usa e abusa de bumbo duplo... enfim. Melhor trabalho feito por ele na banda, de longe! Pra fazer o review desse disco, ouvi com mais atenção (mesmo depois de 8 anos), e percebi até umas coisas novas na parte da percussão. BRAVO!
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