31 de jul de 2014

Test Time Review #8 - Blackbird (2007)






O mais legal de fazer o Test Time Review é analisar como a nossa percepção sobre alguns discos vão se modificando ao longo do tempo. Aquilo que soava excelente passa a ser comum, outros eram renegados e acabam figurando entre os prediletos, mas existe um seleto grupo que permanecem exatamente como eram após a primeira audição, no caso de Blackbird do Alter Bridge, ele continua o mesmo, sem tirar nem pôr, ou seja, fantástico!

A Banda

Myles Kennedy (Vocal e Guitarra)
Mark Tremonti (Vocal e Guitarra)
Scott Phillips (Bateria)
Brian Marshall (Baixo)


O Contexto

Após a separação do Creed, Tremonti, Phillips e Marshall recrutaram Myles Kennedy e com boa parte do material escrito  entre 2001 e 2004 gravam o debut One Day Remains (2004), o  material em questão era bom e tinha muito potencial para emplacar vários hits mas ouvidos mais atentos percebiam mais guitarras, linhas de vocais mais altas e ousadas e uma cozinha bem mais pesada, uma nova estrada foi aberta, uma  ponte alternativa descoberta (como Tremonti justificou o nome da nova banda na época).

Os problemas com a antiga gravadora Wind Up atormentaram a banda que havia conquistado boas vendagens no debut  e acabou ficando presa em uma briga judicial culminando em três anos de atraso para o segundo disco, após rescindirem o contrato com a antiga gravadora, assinaram com a Universal.

Então Blackbird é lançado em 2007 aprofundando as mudanças sonoras já em curso.

As impressões do passado

Quando coloquei Blackbird para tocar simplesmente não acreditei no que estava ouvindo, mesmo percebendo que a banda já carregava uma veia mais pesada e menos comercial  em One Day Remains se comparado ao Creed, entretanto, os caras se soltaram das amarras e compuseram um disco pesado, intenso e sem medo de fletar com o Heavy Metal.

Ties That Bind simboliza a quebra das amarras, tanto pelo título quanto pela sonoridade, impossível não vibrar com as eloqüentes guitarras que duelam em melodias cortantes, riffs pesados e solos (MUITOS solos) dentro da mesma canção.

A diversidade dos arranjos criou uma atmosfera única, o peso dos grooves de Come To Life, a power ballad comercial e sensacional Brand New Start (a música que mais ouvi nos últimos anos) junto com a intensa Coming Home constroem a base de um disco forte, diversificado e inspirado.

A faixa título, Blackbird, é um épico de 7 minutos, uma faixa emocional com uma letra que se refere a perdas em nossas vidas (homenagem a um falecido amigo de Myles), aqui encontramos a melhor interpretação do vocalista e um solo muito inspirado.

Falar da atuação dos músicos é uma tarefa agradável, Mark Tremonti, Brian Marshall e Scott Phillips ficavam escondidos no Creed, já citei isso em outras resenhas da banda, em Blackbird eles transbordam competência, sim os três tocam demais, gostem ou não do passado dos caras.

Myles Kennedy canta alto com brilho e personalidade, além de compor bons riffs e dividir as guitarras com Tremonti, era a peça que faltava para essa engrenagem, um grande talento surgiu para um público maior.

Como o álbum envelheceu?

Blackbird já tem 7 anos e continua soando muito bem, a proposta de fazer um som pesado e complexo, com traços de rock alternativo recheado de solos e riffs de bom gosto mostrou  o caminho que a banda deveria seguir. 

Comercialmente Blackbird não foi tão bem no mercado americano quanto One Day Remains que chegou ao disco de ouro, mas abriu duas portas importantes na carreira da banda, a primeira, mostrou um caminho sonoro que foi muito bem explorado nos aclamados AB III e Fortress, a segunda, conquistou o mercado europeu lotando arenas e vendendo bem no velho continente. Após esse disco o Alter Bridge vem crescendo mundialmente e retomou bom espaço no mercado americano.

O legado artistico valioso do segundo disco  virou referência e para muitos fãs Blackbird é o melhor registro dos caras, eu prefiro não afirmar isso, mas com certeza foi a partir dele que o Alter Bridge enterrou a estigma de "ex-Creed" e consagrou seu estilo, de quebra revelou Myles Kennedy para o grande público.

Se você nunca ouviu Blackbird não sabe o que está perdendo.

Brand New Start (Live in London)




Blackbird




Track List

  1. Ties That Bind
  2. Come To Life
  3. Brand New Start
  4. Buried Alive
  5. Coming Home
  6. Before Tomorrow Comes
  7. Rise Today
  8. Blackbird
  9. One By One
  10. Watch Over You
  11. Break Me Down
  12. White Knuckles
  13. Wayward One
  14. We Don't Care At All*
*faixa bônus

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