19 de fev de 2015

Periphery - Juggernaut : Alpha / Omega







Nota: 8,00

Você já ouviu falar de  djent?  Math Metal? Pois é quem acompanha a música pesada a mais tempo pode não reconhecer esses termos, mas com certeza ouviu bandas de metal progressivo, e para sintetizar o som do Periphery podemos classifica-lo como Progressive Metal djent, que nada mais é que arranjos complexos e sonoridades ecléticas misturados com muito peso, distorção e vocais hora melodiosos hora urrados e guturais.

O Periphery é um dos maiores expoentes dessa estética sonora, ao lado de nomes como Gojira Meshuggah e Skith, e confesso que nunca fui um grande fã do estilo, não por preconceito, mas por não conhecer a fundo, e ao ler boas críticas de  Alpha e Omega (álbuns lançados simultaneamente) dei uma chance ao Periphery, e graças ao Spotify fui digerindo o trabalho.

Mesmo tendo algumas ressalvas sobre alguns aspectos estéticos do som, é inegável a qualidade do sexteto, que encaixa sua sonoridade complexa e raivosa a melodias realmente cativantes, o trabalho é muito bem produzido e cuidadosamente acabado.

 As guitarras do trio Misha Mansoor, Jake Bowen e Mark Holcomb é o grande chamariz, aliado a bateria quebrada de Matt Halpem e aos grooves do baixo de Adam Getgood. Os vocais de Spencer Sotelo é um ponto de dúvida, a demasiada semelhança com Chester Bennington do Linkin Park as vezes incomoda, e o trabalho mais gutural é questionável, mas quando ele resolve se soltar, tem melhores resultados, mas pode evoluir.

Alpha abre com a  complexa A Black Minute, Heavy Heart brilha com a sua veia fusion com hard rock moderno e um pé no pop, com guitarras excepcionais e um bom trabalho de Sotelo nos vocais, uma das melhores faixas da primeira parte.

The Scourge funde melodias pop com incursões que beiram o Groove Metal, simbolizando o tal djent, Alpha tem grandes arranjos vocais e um andamento quebrado da cozinha, algo como o encontro do Progressivo com Hardcore, aliás tudo que o Periphery não tem é uma sonoridade comum, isso é um grande trunfo, mesmo sendo pouco convencionais as melodias da faixa em questão são incrivelmente cativantes.

Em Rainbow Gravity temos o melhor da banda, complexidade extrema dos andamentos aliados a melodias grudentas e um belíssimo solo de guitarra, á a faixa que pode facilmente tornar-se um clássico do estilo.

Em Omega, o Periphery segue com um trabalho de continuidade ao Alpha, musicalmente temos passagens um pouco mais complexas e atmosféricas, mas a diferença é bem sutil, não seria diferente uma vez que as músicas foram todas gravadas nas mesmas sessões.

A progressiva The Bad Thing abre o segundo disco, adicionando passagens mais melodiosas e maiores contrastes entre peso e melodia, outro grande momento, Priestess viaja na influência de Fusion e toques acústicos e vocais mais cantados, aqui Spencer Sotelo solta mais sua voz, e atinge resultados melhores do que no resto do disco.

Graveless visita o Thrash Metal nos riffs das guitarras, e abusa nos grooves do baixo de  Getgood, uma aula de violência mostrando a versatilidade do Periphery, a faixa título Omega, extrapola os limites da experimentações, a intro de piano é interrompida  com um riff demolidor aliado a Blasting Beats furiosos de Matt Halpern e vocais urrados, em meio aos 11 minutos, o som vai ficando mais progressivo com incursões dos belos solos de Misha Mansoor, uma música bem surpreendente.

O Periphery pode alcançar voos mais altos se aparar algumas arestas, principalmente em termos vocais, que não convence totalmente, mas em linhas gerais a banda consegue viajar muito bem dentro de uma gama sonora ampla e até certo ponto antagônica. A habilidade de compor com extremos é o grande lance aqui.

Recomendado para quem está apto a  viajar nas músicas do sexteto, um dos melhores discos de 2015 até agora!


Juggernaut : Alpha (2015)






Juggernaut: Omega (2015)




A Banda

Misha "Bulb" Mansoor – (Guitarra Solo) 
Jake Bowen – (Guitarra Ritmica e  backing vocals) 
Matt Halpern – (Bateria e Percussão)
Spencer Sotelo – (Vocais)
Mark Holcomb – (Guitarra Ritmica)
Adam "Nolly" Getgood – (Baixo)


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