31 de jul de 2013

Masterplan - Novum Initium

Os últimos anos foram MUITO difíceis para o Masterplan, depois de um hiato de 3 anos a banda capitaneada por Roland Grapow (ex-Helloween), volta a ativa, cheia de novidades, em busca de estabilidade. Com novos integrantes, a banda lança seu quinto disco de estúdio, Novum Initium (é, o título é condizente a proposta), com muitas novidades, que será esmiuçado no review a seguir:

P.S.: Ah sim, só ratificando, meus reviews são cheios de parênteses, com informações/opiniões adicionais.



Projeto ou Banda?

Desde 2007, com o "MKII" e sua curta turnê que há essa dúvida entre os entusiastas da banda, mas é preciso conhecer os fatos pra entender o que se passou com a banda que vinha em uma crescente absurda, porém, que em seguida, sofreu com várias perdas. Mostra um Masterplan bem diferente do que os f'ãs conheciam, devido a saída de Jorn Lande (vocalista original da banda), e Uli Kusch (baterista, e um dos principais compositores), este último, junto com Roland Grapow formaram o Masterplan.

Foi-se alegado para saída de ambos os integrantes: Jorn Lande queria um som mais próximo de seu trabalho solo, algo mais simples, direto, Algo que ele pudesse cantar ao vivo no futuro, Grapow cita diferenças musicais como motivo da saída do vocalista.

Já Kusch, segundo Roland Grapow, estava falando demais em dinheiro ... em seguida, o baterista forma o Ride The Sky, com uma sonoridade parecida com o Aeronautics, álbum de 2005.

Este material (MKII, Mark II, referência aos "marks" do Deep Purple) possui 2 novos integrantes, Mike DiMeo (ex-Riot, ex-The Lizards) e Mike Terrana (ex-Rage, ex-Axel Rudi Pell, atual membro do trabalho solo de Tarja Turunen). Enfim, o disco teve uma curta turnê com o Saxon, e em seguida entrou em "parafuso"... sem turnê e sem informações.

Passaram 2 anos, até que em 2009, Mike DiMeo, através de seu MySpace diz que não faz mais parte do Masterplan, tempos depois Grapow cita que a banda não funcionou ao vivo com ele. Em paralelo, Mike Terrana continua tocando com trocentas bandas e projetos. Ainda assim, o ano não foi de "todo" improdutivo, em julho foi anunciado oficialmente (depois de meses de rumores), a volta de seu vocalista original, o norueguês Jorn Lande! Estaria a banda enfim voltando aos trilhos, então?

Foto do anuncio da volta de Jorn Lande ao Masterplan. 



... só que não.

A banda lança seu quarto disco, Time To Be King em 2010, com toda "pompa" de "ÔÔÔ, o Jorn voltôô". O material do disco em si é claramente direcionado para volta do vocalista, que anteriormente alegara que o som do Masterplan estava complexo demais, então, foi feito um material ainda melódico, porém BASTANTE cru e direto para as linhas que o grupo fazia.

Mesmo com a boa recepção do disco, nada de informações de shows, festivais, turnê... Ao mesmo tempo, Mike Terrana continua em turnê com Tarja, e Jorn Lande lança um álbum tributo ao Dio (Legal lançar um disco homenageando alguém que morreu meses antes, não?), o terceiro disco do Allen/Lande, além do disco duplo com o Avantasia (fazendo tour com este último). Aparentemente Masterplan era algo secundário para tais membros e foi por tais motivos que em 2012...:

Novo "Recomeço"

... É infomado, através da AFM records, que a banda sofreu 3 baixas, e que anunciariam em sua fanpage, os novos integrantes (ironicamente, eu acompanhei, e acertei quem seria o vocalista, quando falaram que ele era sueco). Vamos as baixas/substitutos:

Rick Altzi, vocalista do At Vance, tem um timbre de voz que lembra o Jorn Lande (para alguns, soa como cópia), vem ganhando notoriedade com trabalhos com o Thunderstone e Herman Frank, além do próprio At Vance. (Preciso dizer que ele entrou no lugar do Jorn Lande?)

Jari Kainulainen, ex-baixista do Stratovarius, entra no lugar de Jan S. Eckert, baixista original, que saiu do Masterplan, creio eu, devido a inatividade da banda, e oportunidade de voltar ao Iron Savior.

Martin "Marthus" Skaroupka, atual baterista do Cradle Of Filth (eita!), entra no lugar de Mike Terrana, que continua a fazer tour com a Tarja (.... desde 2008 isso).

Em ordem: Jari Kainulainen, Marthus Skaroupka, Rick Altizi, Roland Grapow e Axel Mackenrott.


Com apenas 2 integrantes originais (Roland Grapow e Axel Mackenrott), o que esperar do NOVO Masterplan? É o que conheceremos a seguir:



1. Per Aspera Ad Astra
2. The Game
3. Keep Your Dream Alive ***
4. Black Night Of Magic
5. Betrayal
6. No Escape
7. Pray On My Soul
8. Earth Is Going Down
9. Return From Avalon
10. Through Your Eyes
11. Novum Initium
12. 1492 (Bonus Track)
13. Fear The Silence (Bonus track) 

Todas as músicas compostas por Rick Altzi, Roland Grapow e Axel Mackenrott. 
*** Colaboração de Erik Lidbom



O disco em si.

Costumeiramente a banda não costuma utilizar intros, mas neste e no MKII (além do EP de Lost And Gone), o disco começa com "Per Aspera Ad Astra" que apresenta DE cara o Marthus "chutando o pau da barraca" ... junto com a guitarra de Grapow... os arranjos orquestrados dão o clima.

"The Game" é uma música já conhecida, pra quem acompanhou o "lyric video" da banda (hahahahah, sedento por informações novas do Masterplan), e bom ...que porrada! Distorção, bumbos duplos, letra positiva, por sinal, Rick manda muito bem nessa! ... Mas o que mais me chamou atenção são os trabalhos de guitarra nela, ora melódica, ora sujeira/distorção.

O disco segue com "Keep Your Dream Alive", single do disco, que possui videoclipe e tudo. Se na primeira música, o teclado fica meio de lado, nessa Mackenrott praticamente a carrega, aliás, desde a saída de Uli, que Axel vem suprindo a ausencia do antigo baterista no sentido de composição. E mostra-se ser o "diferencial" do Masterplan, algo que caracterize a banda. Também deve-se considerar a base totalmente de distorção que acompanha a bateria/baixo, enquanto Axel segue com a parte melódica. Outra coisa bem bacana, são as viradinhas de tempos da bateria, que a guitarra de Grapow acompanha. Remete a época de Grapow/Uli no Helloween.

Seria um "remake" de Kind Hearted Light? Não, é "Black Night Of Magic", que nos leva diretamente ao debult (primeiro disco da banda, de 2003)... a música segue PESADA (principalmente seu riff, que é distorção pura). Destaque para os teclados (que seguram a parte melódica da música) e a bateria (rápida, cadenceada, variada). Outras coisas a salutar, é o baixo bem presente (eita,no Masterplan? Sim! ...).

O disco segue com "Betrayal", uma música surpreendente, e uma das melhores do disco. A começar pela intro feita em uma citara, além de outras partes com tal arranjo (Roland Grapow indiano?), porém a música é EXTREMAMENTE pesada. Distorção forte, melódica, solo incrível! Provavelmente um possível novo "clássico" da banda. Rick manda muito bem nela, com overdub no final e tudo! Enfim, a música é ousada e funciona.

"No Escape" já começa chutando tudo, pesada, bumbo duplo e teclado! ... Porém "esconde" uma música cadenceada, ainda assim MUITO pesada. Mathus surpreende nela por abusar de contratempos. Com as guitarras de Grapow acompanhando a bateria  (e com uma absurda dose de distorção). Solo incrível (este, melódico e sensacional). Parece ser uma premissa do disco. Riffs sujos, solos melódicos. Um destaque que pode passar despercebido, são os teclados. Os arranjos dele são sutis, porém quando você os percebe, dá MUITO crédito ao Axel Mackenrot.

Com um clima sombrio, "Pray On My Soul" tem uma intro com baixo (eita), bateria e teclado. Em seguida entra uma guitarra melódica ... quando a música "quebra" e fica com uma pegada de hard rock. Refrão grudento, boa música. Tem um "quê" de Aeronautics.

Violoncelos e muita distorção, "Earth Is Going Down" tem uma bela intro, porém, o andamento dela é totalmente diferente, hard rock que lembra "Headbanger's Ballroom" (música do Aeronautics,de 2005). Os arranjos com violoncelo e teclado dão um belo clima à música.

O que dizer de "Return From Avalon"? É o mais próximo de Helloween que o Masterplan chegou. Refrão grudento, clima de Power Metal, a melodia da música é bacana, mas achei a música bem clichê. O ponto alto dela é justamente o solo. Roland Grapow voltando a tocar sua famosa STRATOCASTER. Além da volta do shreds. (mais motivos pra lembrar de Helloween).

Estava faltando uma balada pro disco, não? Justamente "Through Your Eyes" é ela. Bela música. Tem um clima oitentista, até meio AOR.

Enfim, chegamos a música "Épica". A música que dá nome ao disco, "Novum Initium" começa com uma intro de piano (primeira impressão, lembra Savatage). Segue com uma "introdução" dos músicos, na sua primeira passagem, há espaço para ouvir de forma "individual": Piano, baixo e guitarra, com o instrumento de corda de Axel carregando a música (sim, piano é um instrumento de corda).

Mas, peraí... 2 vocalistas? Sim, Rick Altzi e Roland Grapow dividem os vocais, inclusive variando os vocais (ironicamente, e principalmente o Roland Grapow).

A música tem um "quê" progressivo (que nem as músicas épicas do Masterplan nos discos anteriores). Todos os instrumentos funcionam nela, a música é praticamente "carregada" por Axel, mas todos os outros membros participam ativamente. Outro destaque é que a letra é muito boa, além do refrão grudento.

Por sinal, levo a crer que parte das letras cantadas por Roland Grapow (aliás, a letra dessa é dele com o Rick Altizi), tem a ver com os acontecimentos da banda, citados no começo da resenha. Enfim, baita música!

Na versão digipack do disco, há 2 bônus tracks:

"1492", Cadenceada, meio hard rock, com arranjos mais pomposos (serviço de Axel Mackenrot), bom refrão, boa música.

"Fear The Silence", mais uma música hard, semi-balada. Ainda assim, não acrescenta, nem diminui o material do disco.



Resumo da Ópera

Se a vontade de Roland Grapow era um recomeço, ele conseguiu. Ao contrário do disco anterior que me passou uma certa sensação de apatia, este mostra uma banda revigorada, com vontade, entrosada, querendo "mostrar serviço"!

Outra coisa interessante (e que foi discutido com o Julião), é que esse disco superficialmente pode ser passado como "Power Metal clichê", porém, se você ouvir ele com atenção nos detalhes, vai perceber MUITOS elementos interessantes, e que agregam valor ao material. Reconhecer "fases" da banda em determinadas faixas, além de claro, elementos progressivos e arranjos bem feitos.

Falando em Grapow, soltou um arsenal de riffs e solos (riffs em sua maioria sujos, distorção, e solos melódicos), fazendo algo novo em sua carreira. Não tem como não considerar o principal destaque individual do disco. A grande surpresa são as linhas de bateria, se havia alguém "reticente" com a entrada de um baterista de metal extremo/black como o "Marthus", não é preciso "preocupar-se", cumpre MUITO bem seu papel com uma bateria extremamente rápida quando necessário (o esperado pra quem toca no Cradle, não?), porém, sabe cadencear, subir e descer tom, quebrar tempo, enfim, encaixou-se perfeitamente na banda!

Rick Altzi cumpre bem seu papel como vocalista, consegue fugir de aparentar ser um "step" do Jorn, usando e abusando de seu vocal rouco, além de algumas notas altas. Não foi destaque, mas a tendência é que nos próximos álbuns se solte ainda mais. Jari mostra uma linha de baixo nova ao Masterplan, mais presente e mais alta, porém, ainda discreta. Pra finalizar, Axel, como foi dito durante o review, é o "diferencial" do Masterplan, seus arranjos conseguem agregar MUITO valor ao produto final.

Que venha a tour, e que passem aqui pelo Brasil (previsão de tour para America Latina ano que vem)!


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