21 de jun de 2015

Faith No More - Sol Invictus





Nota: 8,00


Quem acompanha o Faith No More desde seu auge de popularidade no fim dos 80's e inicio dos anos 90 até seu auto imposto declínio no fim da mesma década sabe da capacidade dos caras em soar autênticos, aliás a maior qualidade e o maior defeito deles é justamente esse, não seguir padrões.


A imprevisibilidade é uma marca registrada do FNM, e essa tendência de desconstruir o passado e repaginar sua sonoridade se deu no auge de popularidade da banda, The Real Thing, segundo disco da banda e estréia de Mike Patton  explodiu em sucesso, seu sucessor Angel Dust chocou o mundo ao soar experimental e até certo ponto nilista, dando o pontapé inicial, mesmo que embrionário, ao que chamamos hoje de New Metal.


Pois bem, após mais dois discos e um hiato que se iniciou em 1998, a banda voltou aos palcos e iniciou planos para o novo álbum de estúdio, Sol Invictus marca o retorno do Faith No More e a espera valeu a pena.


Quem esperava (será que alguém esperava) o guitarrista Jim Martin de volta pode esquecer, Jon Hudson continua no posto, o resto da formação se dá com Mike Patton nos vocais, Billy Gould no Baixo, Roddy Bottum nos teclados e Mike Bordin na bateria.


Musicalmente Sol Invictus é um grande disco, bem produzido e muito bem arranjado, mas talvez o fantasma de Jim Martin ainda ronde por ai, uma vez que assim como em Album of The Year (1997) as guitarras tímidas causam certo incomodo, nada que diminua a qualidade que emana das 10 composições presentes.


Tentar rotular a música do Faith No More é perda de tempo, uma vez que a banda se desloca entre o Rock Clássico, Hard Rock e até passagens mais Heavy Metal, uma pena que as cativantes influências funkeadas foram deixadas para trás, algo compreensível nos dias de hoje.


Talvez as grandes expectativas possam prejudicar o disco em uma primeira audição mas com o passar do tempo torna-se prazeiroso desvendar Sol Invictus, e sua sonoridade distinta, as guitarras e os teclados e pianos se apoiam na bateria certeira de Bordin e ao Baixo pulsante de Gould, instrumental forte que prepara o terreno para os vocais excelentes de Mike Patton.


A faixa titulo, Sol Invictus é calma e obscura com pianos na frente da mixagem liderada pelos vocais de Patton,  abre passagem para a já conhecida Super Hero que poderia estar em Angel Dust, pesada com um refrão arrastado envolto de um coro bem sacado.


O groove suave aliado a explosão vocal de Sunny Side Up adiciona um tempero interessante ao disco, uma típica música do FNM, a partir daqui o disco perdeu um pouco da intensidade, mas não da qualidade, Separation Anxiety é experimental e barulhenta, com uma bela linha de baixo, mas falta algo, talvez mais melodia,  Cone Of Shame segue a mesma tônica da anterior, alternâncias entre momentos barulhentos e incursões de melodias vocais.


Voltando aos momentos mais fortes, Rise Of The Fall é uma viagem dentro das maluquices da banda, com Mike Bordin descendo o braço na bateria, uma das melhores do play, Black Friday viaja entre diversas influências, com bastante ênfase as guitarras Jon Hudson, Motherfucker foi a primeira música divulgada pela banda e não acrescenta nada ao disco, mas sua veia sarcástica é impagável.


Para fechar o disco temos a cadenciada e melodiosa Matador, um show de Mike Patton com vocalizações afiadas, From the Dead fecha quase como uma vinheta acústica, em um clima bem amistoso e descontraído.


Ouvir esses caras lançando um novo disco é sempre bom, mesmo que muitos como eu sejam viúvas de Jim Martin, e que o Faith No More não pare por aqui pois o mundo precisa mais do que nunca da competência e talento desse quinteto.


Sol Invictus (2015)




A Banda

Mike Patton (Vocais)
Billy Gould (Baixo)
Roddy Bottum (Teclados)
Jon Hudson (Guitarras)
Mike Bordin (Bateria)


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