19 de ago de 2014

Test Time Review #9 - Nation (2001)




A estréia do Heavy Metal Brasileiro no Test Time Review é uma escolha peculiar, o polêmico e desafiador Nation do Sepultura lançado em 2001 em meio a um período conturbado na história da maior banda de Heavy Metal do Brasil.

A escolha do disco foi curiosa, queria falar de um registro de Metal nacional e ao mesmo tempo analisar algo menos óbvio, 13 anos depois, Nation ainda é visto com estranheza pelos fãs e simboliza o último disco da fase mais experimental do Sepultura que a partir de Roorback (2003) retoma uma sonoridade mais direta,  vale a pena conhecer e tirar suas próprias conclusões.

A Banda

Derrick Green (Vocal)
Andreas Kisser (Guitarra)
Paulo Xisto Jr (Baixo)
Igor Cavalera (Bateria e Percussão) 

O Contexto

A saída de Max Cavalera em 1996 e o lançamento de Against (1998) transformaram o outrora sucesso absoluto da banda entre o fim dos 80's e meio dos 90's em um período de incertezas e mudanças.

Por sua vez nos anos 2000 a música pesada vivia um turbilhão de estilos, o New Metal e o Hardcore estavam em alta nos Estados Unidos, a Europa e América do Sul viam a polarização de Power Metal, Death Metal Melódico e Black Metal, nesse cenário nomes mais veteranos foram pressionados a  buscar uma volta as raízes para conservar seu público, mas o Sepultura queria seguir seu próprio caminho.

Nation foi uma resposta ousada para o mercado da música, mas o fantasma do sucesso do Soulfly de Max Cavalera fizeram com que a gravadora Roadrunner abandonasse o projeto em favor da banda do ex-líder do Sepultura.


As Impressões do passado

Nation não é um álbum convencional, é temático, no caso o nascimento de uma nação fictícia, trazia um conceito complexo e ambicioso, era uma tentativa de mostrar que a banda podia viver sem Max e ainda mostrar ao mundo a capacidade criativa e inovadora que marcou álbuns como Chaos A.D e Roots.

As influências Hardcore e batidas tribais deram o tom no disco, o padrão sonoro privilegia os grooves pesados e as guitarras se espalham com muitas palhetadas e distorções, a estrutura de riffs sobre riffs e solos rápidos não aparecem por aqui, o Sepultura mergulhou de cabeça nos experimentos.Eu mesmo estranhei muito a orientação musical na época.

Mesmo assim a assinatura do Sepultura era mantida em sua essência pesada e visceral, tudo está muito "na cara do ouvinte" a bateria de Igor precisa e carregada de batidas furiosas, Andreas Kisser expandiu sua atuação com arranjos mais ousados e Paulo aparece mais que nos discos anteriores com muitos efeitos no baixo.

Derrick por sua vez dividia os fãs, o estilo mais cantado, com gritos extremos é bem diferente dos urros furiosos de Max, apesar das críticas o trabalho do americano é competente e traz muita identidade para o disco.

Sepulnation despontou como primeiro clássico da então nova formação, ecoando os tempos de Roots com seu groove cativante, é o cartão de visitas de Igor, os 56 segundos de Revolt explodem a cabeça do ouvinte de forma raivosa, e Border Wars é um Hardcore tribal feroz.

One Man Army teria um video clipe, esse cancelado pela gravadora, a música tinha potencial para sucesso, os vocais de Derrick se alternam entre limpos e agressivos, e as guitarras de Andreas despejavam peso, outro grande momento de Nation.

O álbum é extenso e os experimentos aparacem com freqüência como em The Ways Of Faith mescla passagens acústicas com distorções, Politircks abre espaço para os vocais declamados de Jello Biafra junto com os urros de Derrick Green.

A acústica e interessante Water prepara terreno para Valtio, o hino da nação fictícia, com participação do quarteto Apocalyptica, uma grande faixa que encerra o disco de forma espetacular.

Como o álbum envelheceu?

Nation vendeu mais de 50 mil cópias no Brasil, ganhando disco de ouro, o debut da turnê foi no Rock In Rio 3, na noite que ainda tinha Halford e Iron Maiden no palco mundo, toda a visualização gerada prometia uma nova explosão do Sepultura, que não ocorreu.

Musicalmente o disco é difícil de digerir até hoje, complexo e recheado de detalhes acabou afastando quem esperavam retorno aos tempo de Arise, ao mesmo tempo que a sonoridade de vanguarda não se encaixava exatamente nos padrões da indústria naquele momento, prejudicando a exposição da banda para um público novo.

Sem apoio da gravadora e com boa parte dos fãs reclamando, Nation é um retrato de um período único do Sepultura, a banda, outrora unanimidade buscava uma forma de sobreviver sem apelar para uma reunião forçada.

O tempo foi um aliado de Nation, que soa melhor hoje do que em 2001, o fato de perceber que ainda podemos ouvir ecos dessa fase nos discos mais novos da banda é um indicio do legado, mesmo o Sepultura voltando a soar mais direto e pesado nos discos posteriores, Nation viabilizou novos conceitos líricos e sonoros, valeu a experiência.



Sepulnation





Valtio


Track List

  1. Sepulnation
  2. Revolt
  3. Border Wars
  4. One Man Army
  5. Vox Populi
  6. Ways Of Faith
  7. Uma Cura
  8. Who Must Die?
  9. Saga
  10. Tribe To A Nation
  11. Politricks
  12. Human Cause
  13. Rejection
  14. Water
  15. Valtio
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